A CULTURA DA MODA DESCARTÁVEL

 A CULTURA DA MODA DESCARTÁVEL

“Uma jaqueta cor-de rosa, de algodão e com botões, perfeita para sair em uma noite de verão, que comprei baratinho. Parecia uma boa ideia. Mas quando a experimentei em casa, o corte, a cor e o caimento simplesmente não eram bem o que eu queria. Ficou um ano no meu armário junto com outras roupas que “eu não queria” até que finalmente a dei. Ainda que eu seja a primeira a admitir que compro roupas que não uso, não sou a última. “

Matilda Lee, autora do livro Ecochic – O guia de moda ética para a consumidora consciente
Acredito que todas nós temos uma situação parecida com a da Matilda Lee. Eu mesma já comprei várias coisas que estavam em promoção e achei que era um bom negócio. Não que tudo que esteja barato seja ruim, mas algumas coisas são de qualidade inferior, corte e caimentos bem grosseiros, detalhes que não percebemos quando estamos inebriados pela palavra mágica promoção.

Suas roupas podem valer um carro novo

Há estudos que sugerem que uma mulher poderia comprar um carro novo com a quantidade de dinheiro que gasta em roupas que nunca se usa. Compramos muito porque as roupas caíram de preço, mas em contrapartida estragamos muitos, pois as roupas nunca foram tão descartáveis. tanto pelo fato da mutabilidade da moda, quanto pela qualidade dos tecidos e cortes que vêm se deteriorando a cada década com a finalidade de oferecer preços menores e alimentar a ilusão do consumo.

Mas dá para comprar uma roupa barata e com um corte bom? Sim é possível, mas é mais comum que compremos aquela blusinha básica de R$ 9,99 numa loja que costuma vendê-la por R$ 19,90 ou um pouco mais e descobrir depois de passado o efeito promoção que ela estava com um pequeno grande defeito…depois o que acontece? Pomos a roupa no rol das de usar em casa ou de dormir, mas não tínhamos comprado para esse fim… Muitos R$9,99 podem sair bem caros, pois se compramos 10 peças já se vão praticamente R$100,00 gastos em promoções que não nos darão um guarda-roupa bom, mas um entulhado de coisas que na verdade não conseguiremos usar, ou até usaremos, mas logo o produto ficará cheio de pelos, os defeitos vão aparecer ou vamos enjoar.
Imagem: http://www.modadesubculturas.com.br/
 
Fazer compras hoje tem mais um significado social do que propriamente uma necessidade ou desejo:
“Acho que historiadores podem defender que as compras, especialmente de produtos da moda, é vista como uma atividade de lazer, pelo menos para os consumidores metropolitanos, desde a revolução do varejo no fim do século XVIII. As lojas de departamento, especialmente, sempre se mostraram como destinos atraentes e centros de prazer – assim como os resorts para turistas. Dito isso, a mudança de padrões de trabalho, a dissolução da vida familiar “tradicional” e a desregularização dos horários das lojas a partir dos anos de 1970, também afetaram a organização mais ordenada, em estações, das práticas de compra. A chegada de novos produtos nas lojas, hoje, é constante, quando há 30 anos as novas linhas chegavam no início de cada estação da moda, três ou quatro vezes ao ano.”
Christopher Breward, chefe de moda do Victoria and Albert Museum
A quantidade de opões que temos hoje, com uma novidade a cada vitrine e cada semana nos impulsiona a consumir e a consumir mal. Compramos muito e sem necessidade, apenas para satisfazer um desejo ou dizer que estamos comprando. Não sou contra às compras, que fique claro, mas sou contra o desperdício, contra o jogar dinheiro no lixo com itens que não agregam valor.
Uma it peça, aquela bam bam bam do momento que todo mundo está usando, mas depois de seis meses vai ser aposentada em algum lugar do armário, não merece estar lá, a não ser que realmente tenha um preço descartável e você precise dela. Não costumo comprar alguns lançamentos de calçados que vejo que são apenas febre, todos estão usando , o preço ainda caro…fatalmente quatro meses depois se eu considerar que é uma peça que vai cair bem com as minhas roupas eu compro e o melhor, pela metade ou até 70% mais barato.
Há peças e peças, há peças em promoção que são uma oportunidade, há outras que são uma ameaça para o sua vida financeira, pois não valerão o preço barato que você pagou se não for usado ou se for usado uma vez e já ficar amarrotado.
Resumindo:
Promoção não é de graça, então avalie bem a peça, prove e veja cada detalhe, dinheiro leva tempo para ser adquirido, mas rapidinho vai embora;
Uma peça de roupa que, às vezes,  parece cara, mas tem um bom corte e qualidade, e pode ser usada várias vezes e ainda permite inúmeras combinações é um bom investimento;
Não compre por impulso ou desejo, avalie a necessidade. Permitir-se uns mimos de vez em quando faz bem, mas mimar-se demais pode fazer de você uma consumidora compulsiva e destruir muitos objetivos, pois a vida não é só moda;
Planeje. Revise seu guarda-roupa. Desfaça-se do que não usa , mas doe para as pessoas certas, aquelas que você sabe que vão fazer bom proveito e suas peças “enjoadas”(já vi gente que joga fora, um crime!);
Seja você e vista o que você acredita! comprar um roupa só porque alguém disse que você deveria usar, sem esse seu o seu gosto pessoal vai redundar em mais uma peça abandonada no armário…digo por experiência própria.
Para quem desejar ler mais ou aprofundar seus conhecimentos sobre o tema eu indico um livro que estou amando ler, do qual tirei algumas citações :
Assistir ao filme  Os Delírios de Consumo de Bcky Bloom, também é uma boa maneira de ver como o consumo exagerado pode destruir muito mais do que uma vida financeira.
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Beijos da Dani

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