VAIDADE? NA MEDIDA

VAIDADE? NA MEDIDA

Nunca fui apegada a vaidade excessiva. Na verdade acho que sou meio desleixada com muita coisa. Não gosto de fazer minhas unhas e nem tenho paciência de deixar alguém fazê-las. Geralmente aplico uma camadinha de base e dependendo da ocasião um esmalte cor de rosa vibrante ou um azul marinho com cintilante prata.

Mas não gosto e ficar presa àquela ideia de que tenho  sempre andar de unha pintada. Claro que não vou andar com as unhas cheias de cutículas e assimétricas, quebradas ou coisa assim, aí já chegamos em um outro ponto, que se chama falta de higiene e isso ninguém deve ter.

Mas não gosto da ideia de pintar as unhas toda semana. Não no momento. Talvez um dia eu mude, mas por enquanto é assim que sou e quando me criticam porque não pintei as unhas em dada semana eu simplesmente digo que não estava com vontade.

Mas o que é a vaidade?

Segundo o dicionário, vaidade é a valorização que se atribui à própria aparência, ou quaisquer outras qualidades físicas ou intelectuais, fundamentada no desejo de que tais qualidades sejam reconhecidas ou admiradas pelos outros.

Se olharmos bem a definição, o intuito da vaidade é se fazer notado e isso não se restringe à aparência física. Há pessoas que são envaidecidas ao extremo por conta de seus títulos acadêmicos e fazem questão de deixar claro que possuem uma patente maior que a sua, ou então que possuem alguma patente.

Uma história sobre a vaidade intelectual…

Certa vez, quando eu voltava de algum lugar que não lembro, encontrei uma pessoa no prédio que moro. Como eu era novata na rua, apesar de não o ser no bairro, perguntei como eram as coisas por ali.

Ela não se limitou a me responder que eram calmas, porém isso não me eximia de ter cuidado, mas contou-me uma rápida história para mostrar que nem sempre a maré era favorável naquele lugar.

Disse-me que certa vez ela estava voltando da faculdade e roubaram-lhe os pertences. E continuou sua história salientando por duas vezes que na pasta dela estavam todas as coisas do seu mestrado. Bom, eu não precisava saber disso.

Mas ela fez questão de deixar claro o seu título. Quero pensar que fez isso só para contextualizar a história, mas quando fui relembrar desse episódio, há alguns dias, atentei-me para o fato de quão desnecessário era mencionar o mestrado. Mas ele deve ter sido mencionado por algum intuito.

Espero estar errada, mas me soou como vaidade. Porque eu revelaria a um desconhecido, alguém que acabar a de encontrar, a minha vida acadêmica? Tirem suas conclusões.

Mas como a definição nos mostrou a vaidade também passeia pela aparência física e acredito que seja nessa esfera onde ela se deleita, onde mais faz servos fiéis e dedicados. Alguns capazes até de arruinar a sua vida financeira para conseguir admiração e aprovação de pessoas desconhecidas ou de conhecidas também.

Meus tempos de vaidade excessiva e consumo

Eu lembro que quando era adolescente, bolsista de faculdade e lisa, porque bolsista ganha pouco demais, convenhamos, comprei seis pares de sandálias de uma vez. Depois bateu o arrependimento: – Como eu iria pagar por tudo aquilo? Aquilo consumiria praticamente todos os meus recursos por uns bons meses.

Mas o importante era impressionar, era ficar bonita com os vários pares de sandálias novas e usar a análise combinatória ao máximo para evitar a repetição… quão bobinha eu era. Se eu tivesse dinheiro para tudo aquilo ainda assim seria uma futilidade sem precedentes.

Não fico confortável acumulando

Não julgo os que amam sapatos, bolsas, roupas novas. Eu gosto de tudo isso também, mas ainda não aprendi a ficar confortável acumulando. Quando vejo que estou com roupas demais em casa ou sapatos demais, eu dou um jeito de fazer um bazar e vendo por 80% cento a menos do valor que comprei.

E aí alguém pode me chamar de megera má porque não doei as peças. Vou explicar o motivo. Algumas pessoas tendem a desvalorizar o que é de graça.

Não quero ninguém falando mal das minhas roupas rsrs, por isso prefiro vender, mesmo que baratinho. Quem comprou é porque realmente se interessou, gostou da peça e vai usar, não vai ser mais uma peça encostada em algum lugar para ter o mesmo destino que teria no meu armário, ocupar espaço!

É claro que para algumas pessoas mais chegadas, além de vender as peças eu também faço uma doação, ou simplesmente nem vendo. Mas isso porque sei que essas pessoas vão fazer bom uso e estavam precisando e talvez naquele momento não pudessem comprar.

É errado ser vaidosa?

Não meninas, claro que não né? Nós devemos andar sempre sim bem cuidadas, com as unhas feitas (embora não necessariamente pintadas rsrsr) , cabelos bonitos, hidratados e a pele sedosa e perfumada e bem vestidas. Isso é normal, natural e saudável. O que não podemos é viver para isso, afinal há muitas outras coisas mais interessantes pra se fazer nessa vida, como ler um livro, sair com os amigos, viajar,  ser gente.

Não precisamos passar o dia imersas em banhos de sais, com pepinos em rodelas nos olhos e o cabelo na touca, afinal temos que cuidar do casamento, do marido,  trabalhar, estudar, cuidar da casa, algumas têm que cuidar dos filhos…

Mulheres do mundo moderno

São muitas coisas, mas damos contas de todas elas porque somos mulheres, o que não podemos é dar a importância maior a algo que não define  a nossa essência, a não ser que sua essência seja ser Barbie, ou seja , só aparência, ou então que você viva disso, como as top models (mas até elas tem seus momentos ‘normais’, porque ninguém aguenta ser Barbie o dia todo).

O que quero dizer é que podemos ser lindas, maravilhosas, bem cuidadas, mas sem deixar de cultivar os nossos valores interiores, a nossa alma, o nosso intelecto. Não sejamos apenas uma vitrine da última moda, o cartaz de publicidade do último batom de determinada marca e nem tampouco a fragrância do lançamento do último perfume. Somos muito mais que isso, somos muito mais que um ser para ser admirado pelo que se vê.

Cuidar da aparência sem desprezar sua essência

Por isso , tenhamos cuidado sim com a nossa aparência, tenhamos vaidade, mas na medida. Não deixemos que a vaidade faça com que nos percamos no mar da futilidade, pois quando as ondas estiverem bem agitadas, talvez seja difícil voltarmos para terra firme e aí teremos perdido aquela sensação maravilhosa de por o pé na areia, de sentir o vento, de desarrumar os cabelos, de simplesmente ser…

Quando me perguntarem de novo se sou vaidosa, eu direi : na medida, na medida que me faça feliz, na medida que me permita ser gente e não para agradar aos demais, exceto  a Deus e meu marido.

Palavra do dia: Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao Senhor, essa sim será louvada.
Provérbios 31:30

 

2 Comments

  • Reply Princesas Do Rei junho 14, 2016 at 6:16 pm

    Que post lindo! Lindo mesmo!!!
    Já vivenciamos o fato que você mencionou, sobre pessoas destacarem bem as suas funções ou padrões de vida.
    Nunca fomos vaidosas em relação a beleza, mas teve uma época que começamos a consumir demais batons e esmaltes, compravámos tanto e não usavamos. Foi então que percebemos que Deus não estava se agradando daquilo, que sim: a mulher pode se cuidar, mas com cautela. Somo filhas, somos princesas!
    Amamos o post, sua história! Muito lindo mesmo!
    Beijos.

    • Reply Daniele Leite junho 14, 2016 at 6:43 pm

      Fico muito feliz que tenham gostado! Geralmente a maioria das pessoas não se apega muito a textos assim. Mas resolvi escrever porque é o que eu acredito, são os meus valores. Não devemos ser escravas da vaidade, mas devemos sim estar sempre bem cuidadas, mas acima dessas coisas devemos cuidar do nosso coração, da nossa vida com Deus e isso se refletirá tão genuinamente na nossa aparência que não precisaremos de artifícios sem fim para nos tornamos belas.
      Obrigada meninas! Beijos!

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