A CULTURA DAS APARÊNCIAS: O QUE A SUA ROUPA DIZ SOBRE VOCÊ

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A CULTURA DAS APARÊNCIAS: O QUE A SUA ROUPA DIZ SOBRE VOCÊ

A roupa que vestimos diz muito sobre quem somos, sobre o que temos e ao que damos prioridade. Há pessoas que ganham pouco e compram roupas caras, elas mostram que priorizam uma boa roupa ou um roupa cara, que nem sempre é boa, mas ostenta uma marca. Outras pessoas não se importam muito com isso. Têm dinheiro, mas são guiadas pelo gosto, se for cara, compram e se for barata e gostarem, compram também. Veja o caso da condessa Kate Midleton que vestiu um vestido de uma loja de departamento que no Brasil custaria R$ 12o reais. Ela tem dinheiro para comprar o melhor vestido de grife, mas gostou do baratinho e não teve problema em usá-lo.

F. Braudel, em sua obra Civilisation matérielle économie et capitalisme (1967), afirma que na história das aparências humanas, a roupa sempre ocupa o primeiro lugar, pois mesmo sem saber, o homem se veste para exibir poder, para ser distinto dos demais. Ele afirma que no mundo moderno do consumo industrializado, o último refúgio da elegância é vestir um jeans de marca.

Roupa repetida por dois ângulos

 

Eu lembrei quando li esse trecho daquela velha história da roupa repetida. Nunca vi ninguém feliz, principalmente mulheres,  por estar com a mesma roupa que outra pessoa está vestindo. As pessoas , geralmente, gostam de ser exclusivas, mas elas esquecem que a roupa não é a única maneira de o serem. Cada ser humano é único, mesmo vestindo roupa repetida.

Roupa repetida 1

A raríssima exceção é uma amiga minha , que não tem essa frescura. Certa vez compramos a mesma blusa na Handara, uma loja que vende roupa feminina. Lembro bem da blusa. Ela era num tom meio rosado seco com listras vermelhas. Houve um dia que fomos trabalhar com a mesma blusa. Ela olhou pra mim e disse com um sorriso: – estamos gêmulas. Achei aquilo a coisa mais linda.

Roupa repetida 2

Outra vez fui emprestar um vestido para uma amiga. Nunca havia usado esse vestido e então perguntei se ela não queria usar, já que estava sem roupa para vestir no Ano Novo. Eu simplesmente visto qualquer coisa, mas já houve uma época que, se eu não tivesse uma roupa nova era capaz de adoecer (rsrs).

Bom , mas voltando ao vestido. Ela não quis o vestido porque depois eu iria usar e todos ficariam sabendo que o vestido era meu. No momento eu fiquei meio chateada e achei aquilo o cúmulo, mas depois refleti e vi que aquilo era importante para ela, embora não o fosse pra mim. Cada um tem suas histórias com as roupas. Cada um tem uma maneira de lidar com a repetição delas.

Roupa quase repetida

Outra vez, ainda no trabalho, e essa foi uma situação estranha, avistei uma pessoa com uma blusa xadrez muito parecida com a minha mas não igual. Essa pessoa fazia uso de uma sobreposição, uma camisa de cor por dentro e a blusa xadrez por fora. Simplesmente a criatura olhou com uma cara  feia pra mim, quase bufando, foi ao banheiro e tirou a camisa xadrez. Eu fiquei pensando se eu era tão sem graça a ponto de ninguém querer ser parecida comigo. Simplesmente não consigo nomear isso.

A roupa que move a economia e a roupa que mata

A roupa estimula o comércio, faz a economia girar e nos faz sentirmos superiores ou inferiores, dependendo da nossa forma de encarar a moda. No teatro da moda, há uma corrida implacável para ser aceito, para se enquadrar. Os blogs de moda são um exemplo clássico dessa nova  forma de consumir. São vários os posts de look do dia que inspiram meninas e mulheres em todo o mundo a seguir um padrão que mais tenha a ver com o seu estilo. Esse mercado movimenta milhões e escraviza milhares que perdem a saúde e até a vida para alimentar o consumo desenfreado dos viciados em novidades.

O trabalho escravo

É o trabalho escravo que permite que as lojas de departamento mais conhecidas ofereçam um produto a um preço baixo, enchendo as vitrine de novidades e nossos armários de peças baratas e sem qualidade. Por isso é bom sempre parar para refletir antes de colocar uma peça nova no armário, procurar saber de onde vem, como foi feita, e qual a composição do tecido.

O documentário The True Cost

Eu nem sempre estive atenta a esses fatos, até assistir ao documentário THE TRUE COST e ver que gigantes da indústria têxtil no mundo, como a ZARA,  produzem suas peças em países de terceiro mundo. Lá é mais fácil, é mais rentável. Eles não precisam se responsabilizar pelos trabalhadores, que possuem péssimas condições de trabalho e salários ridículos. Para quem quiser saber mais sobre o documentário, esse é trailer. Ele só está disponível na íntegra na Netflix.

Exclusividade

Quanto à questão da roupa repetida, eu não acho problema e também não vou trocar de roupa só porque alguém está vestindo algo igual a mim. Acho que há coisas mais importantes para investirmos nosso tempo. Afinal quem pode ser  cem por cento exclusivo com roupas hoje em dia?

Mas podemos ser exclusivas e notáveis de outras formas,  pela nossa educação, inteligência, bom humor, prestatividade e quando o assunto for vestimenta, a ‘exclusividade’ pode ser um pequeno detalhe, aquele look de uma pessoa famosa que você adaptou à sua maneira de  vestir , um acessório diferente ou qualquer coisa que seja a nossa cara, mas sem para que com isso precisemos causar mal estar nas pessoas. Vista o que você é e não se preocupe com as pessoas, elas falarão qualquer coisa de qualquer jeito, então, para que viver de opinião alheia, não é mesmo? Esteja em paz com Deus em primeiro lugar, o resto? o resto se ajeita.

Bom, meninas , fica a reflexão. Quase sempre há uma escolha e se pudermos escolher, que o façamos com sabedoria. Vamos optar por marcas que se preocupam com os seus trabalhadores, com o meio ambiente e com a qualidade da roupa que produzem. Sempre que possível vamos priorizar quem se preocupa com as consequência daquilo que produz.

Palavra do dia: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. 1 Coríntios 10:23

6 Comments

  • Reply Jéssica Montagnhani junho 16, 2016 at 10:35 pm

    Ao comprar uma roupa eu nunca tinha pensado na procedência da peça, mas depois desse post vou começar a pesquisar melhor. E me interessei em assistir o documentário, vou procurar ver.
    Sobre as peças repetidas eu não tenho problema algum em me vestir como outra pessoa. Várias vezes vou fazer compras com amigas e se gostamos da mesma peça nós compramos iguais sem problema. Não é a roupa que importa. Beijos

    • Reply Daniele Leite junho 19, 2016 at 2:46 pm

      Realmente Jéssica, não é a roupa que importa, é a amizade. É uma pena que nem todos pensem assim. Fico feliz em saber sua opinião. Precisamos de pessoas mais desprendidas de coisas e futilidades nesse mundo!! Bjos!!

  • Reply Isabel Borgert junho 19, 2016 at 1:27 pm

    É as aparências as vezes enganam. No meu dia a dia, não compro roupas exclusivamente pela etiqueta, gosto de comprar pela qualidade.
    No meu trabalho gosto de estar sempre bem arrumadinha, meus alunos merecem e gostam muito e me arrumo pra me sentir bem, quem não gosta de estar junto a alguem arrumadinho ? eu adoro.
    Já me aconteceu de estar em uma loja com “amigas ” que gostam da mesma peça que comprei e não me importo que comprem igual, mas ja teve uma amiga que chiou por eu querer uma peça que ela adquiriu(fiquei cabrera com isso) afinal a peça não era exclusiva dela.
    Tenho observado também o seguinte: Em ambiente de trabalho se você aparece com uma roupa diferente te fuzilam com o olhar ( acho isso muito desagradável). Enfim, vai entender o ser humano que se baseia na vida do outro.

    • Reply Daniele Leite junho 19, 2016 at 2:50 pm

      Eu também!! Até porque a etiqueta nem sempre é garantia de boa qualidade. No trabalho temos que estar bem vestidas sempre. É inegável que a roupa tem o poder de levantar o nosso astral e isso é uma coisa saudável. Já passei por esse pelotão de ‘fuzilamento’ por uma roupa que vesti no trabalho rsrs. Não pra entender certas pessoas, por isso que é melhor não viver pra agradar a todo mundo e e sim ser fiel aos nossos princípios e o resto que pense o que quiser, não é mesmo?
      Bjos!!

  • Reply Princesas Do Rei junho 20, 2016 at 5:51 pm

    Post lindo! Nossa mãe sempre trabalhou com confecção, então sempre nos preocupamos com a origem da roupa, nunca ligamos para marcas, mas sempre procuramos peças de qualidades!
    Sobre usar roupa igual ou parecida: muitos até hoje pensam que somos gêmeas, pois sempre procuramos estar em clima com a outra! Já usamos muito roupas iguais e apenas de cores diferentes, pois era assim que nossa mãe nos vestíamos, até mesmo para evitar de uma querer a roupa da outra. Sempre fomos muito ligadas e unidas, e até hoje quando vamos as compras, sempre acabamos levando alguma peça parecida ou igual!
    Achamos legal, e não nos importamos com isso! hahaha’ Mas, já nos deparamos com o tipo de pergunta: “Aquele dia vi sua irmã com a sua roupa”! Ou: “vão cantar onde?” Jogamos todas em nosso saco furado, e seguimos a vida! – Beijos!

    • Reply Daniele Leite junho 21, 2016 at 12:34 am

      Vocês são duas joias meninas!! Mas é isso mesmo!! Se a gente for ligar para as besteiras que o povo fala não viveremos em paz.
      Quanto à origem das roupas, eu baixei até um aplicativo para acompanhar mais de perto quais empresas são acusadas de trabalho análogo à escravidão, que para evitar ao máximo comprar nelas.
      Deus continue abençoando vocês!!
      Abração!!!

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