A lei a e graça: será que a graça dispensa a lei?

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A lei a e graça: será que a graça dispensa a lei?

Há uma tendência de considerar lei e graça como binômios, como duas coisas opostas. Mas será que a graça dispensa a lei? Para começar a lei não tinha apenas o aspecto moral, mas a Confissão de Fé de Westminster, no capítulo 18, divide esses aspectos em lei moral, civil e cerimonial. Cada lei tinha seu tempo e aplicação:

(a) Lei Civil ou Judicial – representa a legislação dada à sociedade israelita ou à nação de Israel; por exemplo, define os crimes contra a propriedade e suas respectivas punições.

(b) Lei Religiosa ou Cerimonial – representa a legislação levítica do Velho Testamento; por exemplo, prescreve os sacrifícios e todo o simbolismo cerimonial.

(c) Lei Moral – representa a vontade de Deus para o ser humano, no que diz respeito ao seu comportamento e aos seus principais deveres. *

* LEI E GRAÇA: UMA VISÃO REFORMADA. Mauro Fernando Meister*

 

A Lei moral

A lei Moral, a qual desejo destacar aqui, tinha o papel de orientar o ser humano no que diz respeito ao seu relacionamento com Deus. Cabia ao homem obedecer. Se obedecesse a bênção de Deus estaria sobre ele, do contrário, Deus a retiraria.

“Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando ouvirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos mando; porém a maldição, se não ouvirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, e vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes. ”(Deuteronômio 11:26-28)
 
 

Os propósitos de Deus eram conhecidos através da lei. Antes da queda, o homem recebeu ordens de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e de multiplicar-se sobre a Terra e dominá-la. Preferiu desobedecer e com isso tornou-se réu da mesma lei que poderia abençoá-lo e recebeu a punição devida.

...sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Cristo Jesus, também temos crido em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois, por obras da lei, ninguém será justificado (Gálatas 2.16).

 

Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça (Romanos 6.14).

 

Analisemos os versículos acima. Numa primeira olhada podemos ter a tendência de ver lei e graça como opostos. É como se a graça anulasse a lei. Sob essa perspectiva podem surgir verdadeiras aberrações, do tipo não precisamos mais nos preocupar em obedecer , podemos viver a vida que quisermos porque estamos debaixo da graça e toda sorte de absurdos que já ouvi e li em muitos lugares. Mas a resposta é não. A graça não nos priva de cumprir os mandamentos de Deus, pelo contrário, ela nos impele, com amor, a sermos mais obedientes, porque fomos alcançados.

E então? Vamos pecar porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De maneira nenhuma!Não sabem que, quando vocês se oferecem a alguém para lhe obedecer como escravos, tornam-se escravos daquele a quem obedecem: escravos do pecado que leva à morte, ou da obediência que leva à justiça? Mas, graças a Deus, porque, embora vocês tenham sido escravos do pecado, passaram a obedecer de coração à forma de ensino que lhes foi transmitida. Romanos 6:15-17

A visão de um teórico

Mauro Fernando Meinster em seu artigo: Lei e graça: uma visão reformada, nos diz:

“O entendimento isolado dos versos(Gálatas 2:6; Romanos 6:14) leva a uma antiga heresia chamada antinomismo, a negação da lei em função da graça. Nessa visão, a lei não tem qualquer papel a exercer sobre a vida do cristão. O coração do cristão torna-se o seu guia e a lei se torna dispensável.1 O oposto dessa posição é o legalismo ou moralismo, que é a tendência de enfatizar a lei em detrimento da graça (neonomismo).

Nesse caso, a obediência não é um fruto da graça de Deus, uma evidência da fé, mas uma tentativa de agradar a Deus e de se adquirir mérito diante dele. Exatamente contra essa ideia é que a Reforma Protestante lutou, apresentando como uma de suas principais ênfases a sola gratia.”

 

Toda lei é aplicável nos dias de hoje?

A Lei Civil  era para Israel, para regular aquela sociedade. A lei Religiosa servia para apontar para Cristo, pois sangue de animais não tinha poder de tirar pecados, mas apontavam para um sacrifício maior, o de Cristo. Agora a Lei Moral fala acerca dos deveres do homem para com Deus e é aplicável hoje, como o foi nos tempos passados. Devemos obedecer a Deus, guardar os seus mandamentos.

É fato que Cristo cumpriu a lei e estamos em Cristo, mas isso não nos dá o direito de pecar deliberadamente, quem pensa assim está longe de Cristo. Devemos ter prazer na lei do Senhor, em cumprir os seus mandamentos. A Lei Moral e a graça coexistem. Não são antagônicas, antagônica, muitas vezes é a visão do homem.

“Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele” (João 14.21).

Vós sois meus amigos, se praticais o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor; mas Eu vos tenho chamado amigos, pois tudo o que ouvi de meu Pai Eu compartilhei convosco. (João 15:14-15)

Para quem quiser se aprofundar no estudo desse tema sugiro a leitura que fiz para escrever esse texto:

LEI E GRAÇA: UMA VISÃO REFORMADA – Mauro Fernando Meister*

Palavra do dia: Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. João 1:17

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